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Ansiedade: quando procurar ajuda e quais são os sinais

Todo mundo sente ansiedade em algum momento. Ela aparece antes de uma entrevista de emprego, de uma prova, de uma conversa difícil. Nesses casos, ela até ajuda, porque deixa você mais atento e preparado. O problema começa quando a preocupação não desliga, cresce sem um motivo claro e passa a ocupar o seu dia.

Neste texto você vai entender a diferença entre a ansiedade do dia a dia e um possível transtorno de ansiedade, conhecer os sinais que merecem atenção, ver o que dizem os dados do Brasil e saber o que a ciência mostra sobre a psicoterapia, inclusive no formato online.

Ansiedade é normal?

Sim. Sentir ansiedade de vez em quando faz parte da vida. O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH) lembra que a ansiedade ocasional é uma parte normal da vida e que se preocupar diante de situações estressantes não é o mesmo que ter um transtorno.

A ansiedade é uma reação do corpo e da mente a algo que parece ameaçador ou incerto. Na maioria das vezes, ela tem começo, meio e fim. O evento passa e a tensão vai embora. Quando é assim, não há motivo para se preocupar com a própria preocupação.

Quando a ansiedade deixa de ser normal?

A questão não é sentir ansiedade, e sim o tamanho, a duração e o impacto dela na sua vida. Alguns sinais de que ela pode ter passado do ponto:

  • a preocupação é desproporcional ao que está acontecendo;
  • você tenta parar de pensar no assunto e não consegue;
  • ela aparece na maior parte dos dias, por semanas ou meses;
  • você começa a evitar lugares, pessoas ou tarefas por causa do medo;
  • o sono, o trabalho, os estudos ou as relações começam a sofrer.

No transtorno de ansiedade generalizada (TAG), um dos tipos mais conhecidos, o NIMH descreve que a pessoa tem dificuldade de controlar a preocupação na maior parte dos dias, por pelo menos seis meses, junto com pelo menos três sintomas como inquietação, cansaço, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular ou problemas de sono.

Esses critérios orientam os profissionais, mas não substituem uma avaliação. Se você se reconheceu em alguns itens, isso não quer dizer que você tem um transtorno. É, sim, um bom motivo para conversar com um psicólogo.

Quais são os sinais de transtorno de ansiedade?

Os transtornos de ansiedade formam um grupo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ele inclui a ansiedade generalizada, o transtorno de pânico, as fobias e a ansiedade social, entre outros. Os sinais variam de pessoa para pessoa, mas a OMS lista alguns comuns na sua página sobre transtornos de ansiedade:

  • dificuldade de se concentrar ou de tomar decisões;
  • irritação, tensão ou inquietação;
  • enjoo ou desconforto na barriga;
  • palpitações, o coração batendo forte ou rápido;
  • suor, tremores;
  • dificuldade para dormir;
  • sensação de perigo, pânico ou de que algo ruim vai acontecer.

Muita gente procura primeiro um médico por causa dos sintomas no corpo, como dor de cabeça, aperto no peito ou problemas de estômago. Essa avaliação médica é importante, porque outras condições podem causar sinais parecidos. Quando os exames não mostram outra causa e os sintomas continuam, a ansiedade passa a ser uma hipótese que merece ser investigada com calma.

Quantas pessoas têm ansiedade no Brasil?

Muitas. Em 2017, a OMS publicou o relatório Depression and Other Common Mental Disorders: Global Health Estimates, com estimativas referentes a 2015. Segundo o documento, 9,3% da população brasileira vivia com algum transtorno de ansiedade, o que correspondia a 18.657.943 pessoas. Foi o maior percentual entre os países da tabela do relatório. No mundo, a média estimada era de 3,6%, cerca de 264 milhões de pessoas.

Um estudo feito na região metropolitana de São Paulo reforça esse quadro. A pesquisa São Paulo Megacity, que entrevistou 5.037 adultos entre 2005 e 2007, encontrou transtornos de ansiedade em 19,9% dos participantes nos 12 meses anteriores à entrevista. Eles foram os transtornos mentais mais comuns da amostra.

Os dados mais recentes mostram que o tema segue em alta. A OMS estima que 5,8% da população mundial vive hoje com um transtorno de ansiedade, o que em 2023 correspondia a cerca de 470 milhões de pessoas, e que só cerca de 1 em cada 4 pessoas que precisam de cuidado (27,6%) recebe algum tratamento. Em 2022, a organização já havia alertado que a prevalência de ansiedade e depressão no mundo aumentou 25% no primeiro ano da pandemia de covid-19.

Se você convive com ansiedade, está longe de ser a única pessoa. E existem caminhos de cuidado estudados pela ciência.

Quando procurar ajuda para ansiedade?

Você não precisa esperar a situação ficar insuportável. Vale procurar um psicólogo se:

  • a preocupação ocupa boa parte do seu dia e você não consegue desligar;
  • você deixou de fazer coisas importantes por medo ou para evitar o desconforto;
  • o sono, o apetite ou a concentração mudaram;
  • os sintomas no corpo se repetem e os exames não mostram outra causa;
  • você tem usado álcool, remédios por conta própria ou outras saídas para aliviar a tensão;
  • as pessoas próximas notaram que você mudou.

Se a ansiedade vem junto com tristeza profunda, falta de esperança ou pensamentos de morte, não espere para buscar ajuda.

Se você está em crise ou pensando em se machucar, ligue 188 (CVV, gratuito, 24 horas) ou procure o SAMU (192) ou um pronto-socorro.

Em alguns casos, o psicólogo pode sugerir também uma avaliação com um médico psiquiatra, que é quem pode indicar medicação quando necessário. Psicoterapia e acompanhamento médico podem caminhar juntos.

A psicoterapia funciona para ansiedade?

Existem diferentes abordagens de psicoterapia, e a Cristiane trabalha com a abordagem fenomenológica, que explora com cada pessoa, de forma profunda e aberta, as próprias vivências, sentimentos e pensamentos. Nas pesquisas sobre ansiedade, uma das abordagens mais estudadas é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), e é ela que aparece na maior parte dos estudos citados a seguir.

Para saber se uma psicoterapia funciona, os pesquisadores fazem metanálises, estudos que juntam os resultados de várias pesquisas para chegar a uma conclusão mais segura. Uma metanálise publicada em 2018 reuniu 41 estudos com 2.835 pacientes que compararam a TCC com placebo, ou seja, com um tratamento sem o ingrediente ativo, usado para testar se o efeito vai além da expectativa de melhora. A TCC teve efeito moderado sobre os sintomas do transtorno tratado, e as chances de responder ao tratamento foram cerca de três vezes maiores do que com o placebo.

Os efeitos foram maiores para ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo e estresse agudo, e de pequenos a moderados para ansiedade social, pânico e estresse pós-traumático. Os próprios autores pedem cautela com parte desses resultados, porque alguns quadros tinham poucos estudos.

Uma média, por melhor que seja, não diz como será com cada pessoa. A resposta à psicoterapia varia, e por isso o acompanhamento é feito de forma individual, com objetivos combinados entre você e o profissional.

Psicoterapia online para ansiedade funciona?

Os estudos indicam que sim. É uma boa notícia para quem mora longe de um consultório, tem uma rotina corrida ou se sente mais à vontade em casa.

Existem dois formatos principais nas pesquisas. O primeiro são os programas de TCC pela internet com apoio de um terapeuta. Uma revisão Cochrane de 2016, referência internacional em revisões de saúde, analisou 38 estudos com 3.214 adultos e concluiu que esse formato parece eficaz para ansiedade. Nos estudos que compararam o online com a TCC presencial, não houve diferença significativa, embora os autores classifiquem a qualidade dessa evidência como baixa. Uma metanálise de 2018, com 64 ensaios clínicos, concluiu que a TCC pela internet para ansiedade e depressão é eficaz, aceitável e prática.

O segundo formato é a sessão ao vivo por vídeo, o mais parecido com uma consulta online com um psicólogo. Uma metanálise de 2021 concluiu que a diferença de resultado entre a psicoterapia por vídeo e a presencial foi mínima. A melhora foi maior com a TCC e quando o foco era ansiedade, depressão ou estresse pós-traumático.

Isso não significa que o online sirva para todos os casos. Em situações de risco, o atendimento presencial e o acompanhamento médico podem ser necessários. Para muita gente, porém, a psicoterapia online é o que torna possível começar um cuidado que vinha sendo adiado.

Em resumo

  • Sentir ansiedade de vez em quando é normal. O sinal de alerta é a preocupação intensa, difícil de controlar e que atrapalha a vida.
  • Segundo a OMS, 9,3% dos brasileiros viviam com algum transtorno de ansiedade em 2015, o maior percentual entre os países do relatório.
  • A TCC é uma das abordagens mais estudadas para ansiedade e teve efeito superior ao placebo em uma metanálise com 41 estudos.
  • Nos estudos, a TCC pela internet com apoio de terapeuta e a psicoterapia por vídeo tiveram resultados comparáveis aos do formato presencial.
  • Em crise ou com pensamentos de se machucar, ligue 188 (CVV) ou 192 (SAMU).

Como dar o primeiro passo?

Procurar ajuda não exige ter certeza do que você sente. A primeira conversa serve justamente para entender o que está acontecendo, sem rótulos apressados e sem pressa.

Se fizer sentido para você, você pode agendar uma consulta com a psicóloga Cristiane Morgado Porto (CRP 06/195101). Ela atende adultos no consultório em São José do Rio Preto (SP) e também online, por videochamada, para todo o Brasil. Trabalha com a abordagem fenomenológica, que busca compreender como cada pessoa percebe e vive as próprias experiências, com foco na autenticidade e na autonomia. Quando quiser, é só entrar em contato pelo site.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre ansiedade normal e transtorno de ansiedade?

A ansiedade normal aparece diante de uma situação concreta, tem intensidade compatível com ela e passa quando a situação termina. No transtorno, a preocupação é desproporcional, difícil de controlar e se repete na maior parte dos dias, por semanas ou meses, atrapalhando o sono, o trabalho ou as relações. Só uma avaliação com um profissional pode dizer o que está acontecendo no seu caso.

Psicoterapia online para ansiedade funciona?

As pesquisas indicam que sim. Uma revisão Cochrane de 2016, com 38 estudos, concluiu que a TCC pela internet com apoio de terapeuta parece eficaz para ansiedade em adultos. Uma metanálise de 2021 encontrou diferença mínima entre a psicoterapia por vídeo e a presencial. A experiência de cada pessoa varia, e situações de risco podem pedir outros cuidados junto.

Preciso ter um diagnóstico para começar a psicoterapia?

Não. Você pode procurar um psicólogo apenas porque a preocupação está pesando ou atrapalhando a sua rotina. Nas primeiras sessões, o profissional conversa com você para entender o que está acontecendo, desde quando e como isso afeta a sua vida. A partir daí, vocês combinam juntos os objetivos e o caminho da psicoterapia, no seu ritmo.

Psicólogo pode receitar remédio para ansiedade?

Não. No Brasil, quem prescreve medicação é o médico, geralmente o psiquiatra. O psicólogo conduz a psicoterapia e, quando percebe que pode ser útil, indica uma avaliação médica. Os dois tratamentos podem acontecer ao mesmo tempo, com cada profissional cuidando da sua parte, sempre de acordo com a necessidade de cada pessoa.

Referências

  1. World Health Organization (Organização Mundial da Saúde) (2017). Depression and Other Common Mental Disorders: Global Health Estimates (WHO/MSD/MER/2017.2). World Health Organization.
  2. World Health Organization (Organização Mundial da Saúde) (2026). Anxiety disorders (fact sheet, versão de 15 de setembro de 2026). World Health Organization.
  3. World Health Organization (Organização Mundial da Saúde) (2022). COVID-19 pandemic triggers 25% increase in prevalence of anxiety and depression worldwide. World Health Organization, comunicado de 2 de março de 2022.
  4. Andrade LH, Wang YP, Andreoni S, Silveira CM, Alexandrino-Silva C, Siu ER, Nishimura R, Anthony JC, Gattaz WF, Kessler RC, Viana MC (2012). Mental Disorders in Megacities: Findings from the São Paulo Megacity Mental Health Survey, Brazil. PLoS One, 7(2), e31879.
  5. National Institute of Mental Health (NIMH) (2025). Generalized Anxiety Disorder: What You Need to Know. National Institute of Mental Health, Estados Unidos.
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  8. Andrews G, Basu A, Cuijpers P, Craske MG, McEvoy P, English CL, Newby JM (2018). Computer therapy for the anxiety and depression disorders is effective, acceptable and practical health care: An updated meta-analysis. Journal of Anxiety Disorders, 55, 70-78.
  9. Fernandez E, Woldgabreal Y, Day A, Pham T, Gleich B, Aboujaoude E (2021). Live psychotherapy by video versus in-person: A meta-analysis of efficacy and its relationship to types and targets of treatment. Clinical Psychology & Psychotherapy, 28(6), 1535-1549.

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